Nascimento Arthur

Era início de outono numa tarde chuvosa tipicamente dos outonos portugueses e fomos presenteados pelo Senhor Jesus com a vida do nosso primeiro filho, o Arthur.

Em meio a tantas notícias ruins que 2020 trouxe ao mundo, eu acredito que muitas mães trouxeram ao mundo uma nova esperança com os novos bebes.

Devido a pandemia tivemos que optar pelo parto induzido e até então não tínhamos ideia de quão difícil seria esse dia. Tudo programado para o internamento no dia 24 de outubro as 8h da manhã e lá fomos nós com nossas malas preparados para trazer ao mundo o fruto do nosso amor.

Foi relativamente rápido o trabalho de parto de cerca de 12h mas com contrações de 1 minuto em 1 minuto, posso dizer que tiramos o chapéu para todas as mães, pois com esse grande dom de dar a vida, elas sofrem muito e o seu corpo passa por um nível de estress que somente Deus pode dar forças as queridas mães.

O TRABALHO DE PARTO

Nossa manhã foi tranquila, conversamos bastante e apenas esperando o corpo começar a fazer o seu trabalho. O trabalho de parto ativo começou as 13 horas da tarde, onde as contrações vinham de 2 em 2 minutos, com muita dor e apenas 2 cm de dilatação. O parto induzido é mais lento, com muitas contrações, muitas dores e pouca dilatação. Eu confesso que já sabia dessa informação, porém foi uma opção nossa, um pouco mais “dolorido” mas teria o Felipe comigo o tempo todo, o que para mim era essencial.

Aqui em Portugal foi aberto essa opção de fazer o teste de covil 2 dias antes do internamento, se o pai for negativo poderia acompanhar todo o processo do parto, isso tudo após completar 39 semanas e essa foi nossa escolha. Se por acaso Arthur viesse de forma espontânea, Felipe não poderia participar do parto nem internamento, apenas poderia nos ver nos horários de visita, sem poder dormir no hospital comigo.

As 14h eu pedi para receber a epidural porque estava com muitas contrações e com muita dor e com 3 cm de dilatação. Já tinha vomitado uma vez e a bolsa tinha estourado. Me levaram para o bloco de parto para me preparar para  receber a epidural. Porém, ao chegar a médica, ela me achou muito “branca”, pois estou com anemia, ela pediu exame de sangue novamente para ver os níveis no meu corpo. Por esse motivo mais 1 hora de espera, com contrações até o exame sair e poder receber a injeção. A médica que aplicou a anestesia era um doce de pessoa, esperava as contrações irem embora para continuar a aplicação. Na verdade toda a equipe médica e enfermeiras foram muito prestativos e queridos comigo, fiquei surpreendida e feliz com isso. Após receber a anestesia era só alegria, pedi para o Felipe sair comer algo e fui dormir, porque sentia muito sono.

Lá pelas 18 horas eu acordei e para nossa felicidade já estava com 8 cm de dilatação. Reaplicaram a anestesia várias vezes, o que possibilitou eu ficar sem dor o tempo todo até o nascimento em si. Quando cheguei aos 10cm Arthur precisava descer um pouco ainda, foram mais alguns minutos, após 4 ou 5 momentos de fazer força o Artur nasceu. Nasceu quietinho, com boca aberta, depois chorou um pouco, foi levado para pesar e medir, onde o Felipe ficou ali do lado registrando tudo. Depois voltou para meu colo, onde ficamos duas horas com ele no meu peito, conversamos com ele, consagramos ele a Deus já no primeiro momento. Arthur nos olhava, ouvindo nossa voz, ficou quietinho o tempo todo.

Foi um misto muito grande de sentimentos, de muita dor, um misto de querer ele logo connosco e de sentir que não consegue mais. Felipe esteve comigo o tempo todo, me dando água, suporte emocional, segurando minha mão e dizendo que eu conseguia, que eu era capaz, e eu mesma falava isso o tempo todo “vai passar”, “eu consigo”, “Arthur já esta quase aqui”.
Foi intenso, foi maravilhoso e faríamos tudo de novo.

As imagens a seguir relatam de forma documental momentos de muita dor e um final surpreendente e totalmente mágico. Bem vindo Arthur!

A criação de Deus é perfeita.

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Gravidez em Portugal 2020 (na pandemia)